quinta-feira, 11 de novembro de 2010

"(...)talvez um dia voltes como a proverbial andorinha numa primavera indefenida, ou talvez tudo tenha sido como amores perfeitos, que gloriosamente se desfazem em pó dourado de flores secas, perfumando tudo à volta com aromas vagos de uma alegria nostálgica, talvez nunca se saiba."

Porque é que todos se riem quando digo que já te esqueci?

Sai de casa, virei à esquerda. Sabia que tinha de ir, não podia esperar, o ponteiro já estava ultrapassado, o tempo corre-me pelo corpo, a saudade mata-me todos os dias.
Sai de casa, virei à esquerda, pus o capacete sem sequer o apertar. Reflecti sem sucesso, arranquei, e sabia, sabia tão bem o quão tarde se fez…
A noite põe-se cada vez mais rápido, o sol desaparece, formam-se nuvens cor de sal negro, amargo sabor incessante. Perco-me pelo caminho, a chuva começa a cair em mim como ondas cavalgantes, acesas, em chama.
Cheguei, tirei o capacete, e sem ter tempo para respirar compus paço após paço para chegar à mesma história de sempre. Andei até si, falei consigo, senti os seus braços, imaginei-me ali, todos os dias, a ouvir cada vocábulo, a tentar aceitar todas as críticas. Por instantes não tive medo, não olhei à volta, éramos só nós tal como antes.
Sai, quase corri até à porta na certeza que assim custava menos dizer adeus mais uma vez, porém não, não custa, dói perpetuamente o mesmo, consome a minha mente integralmente, a racionalização que me resta.
Sai, sai sem saber se queria ou não voltar. O vento soprava e todos os resíduos apagados escreviam-se novamente em mim… não quero, gritei, tentei fugir. É fácil apanhar-me assim, é batota, não valeu. Nunca vale, o que é certo é que todos acabamos por perder. - Eu quero perder como ele, com uma enorme vantagem no resultado -.
Gosto tanto de si…
Durma bem, sorria assim que o sol nascer. Eu sorrio quando me lembro de tudo o que me transmite. Até amanhã.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

domingo, 10 de outubro de 2010


Tu também sentes frio durante a noite? Também vais no carro a ver as estrelas quando a viagem é longa? Não te ter aqui parece pior do que um mundo sem música, do que um pássaro sem asas. Pior do que o mar deixar de correr em mim, nos sonhos que sustentam as imagens sem cor que percorrem as ruas, as paredes de casas inacabadas, incompletas. Não sabia que seria assim, fácil de deitar abaixo todos os muros que, talvez só na minha imaginação fomos aumentando.
Fecho os olhos por um momento, corro atrás do que me parece real e futuro, canso-me de investir no que não tem lucro.
Apago a totalidade das minhas esperanças quando o sol se põe, e continuo a andar pelo que desconheço, com medo de sentir, de te dizer o meu nome autêntico, de presentear tudo numa só viagem.
Tu também sentes frio durante a noite? As tuas mãos também tremem quando o lume aumenta?
Já é tarde, preciso de vestir uma camisola e curar esta ferida.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010


Cheguei a casa, lançei a mala, e desejei poder agarrar no telefone para te contar o meu dia. Foste a melhor amiga que alguma vez conheci.

domingo, 19 de setembro de 2010


“Vou ali, já venho!”, “até outro dia”, “então vá, vemo-nos por ai”, “beijinhos, porta-te bem” são as expressões que mais insisto em reproduzir ao sentimento que tenho por ti, esse idiota que me liga todas as noites, que passa o dia a mandar-me mensagens, que corre pela rua atrás de mim. Esse que não me quer largar, que por mais participantes que haja na corrida não desiste, desta vez pretende mesmo vencer.
E eu, que o julguei preguiçoso, sem grandes objectivos, começo a ter medo, medo que me ultrapasse até a mim, a ele, a ela, aos meus sonhos, medo que empate com o meu coração.

Põe-me no chão.

sábado, 18 de setembro de 2010

quarta-feira, 15 de setembro de 2010


- Importaste de andar mais rápido? Está a começar a chover e a tua casa ainda não se vê daqui!
- Espera…
- Vá, está quase.
- Não, pára!
- Mas tu és normal? O que foi?
- Espera 5 minutos…
(Passaram 10, 15…)
- Estás a ver? Começou a chover, e ainda não percebi porque é que paramos.
- Só te queria dizer, debaixo de chuva, que te amo.

(Quase dois anos depois…)

- Olha lá, lembraste de quando te fiz ficar aqui parada à espera da chuva?
- Lembro, claro.
- Então é só para te dizer que está sol, mas ainda sinto o mesmo.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010


Faz teoricamente um mês, achei que não voltaria a abrir os olhos diante o sol, com a porção de chuva a transbordar pelo tom castanho, pelas margens brancas. Pensei que nunca mais te iria avistar, nem que corre-se o mundo apenas com esse propósito. De avião não te conseguiria ver, de barco não conseguiria chegar a ti.
A semana passada sonhei contigo, quando acordei julguei que jamais passaria de um sonho e, por momentos, ao questionar tudo, entendi que talvez nada fizesse mais sentido.
Não liguei, segui. Pensei em ti até escurecer, em como seria perfeito se estivesses aqui. Como se houvesse alguma coisa perfeita.
Antes de ontem apanhei o malmequer mais bonito do jardim, e descobri que me queres bem… mas e se queres mais alguém? Tens noção de como isso modificaria a minha vida?
Nunca simpatizei com a partilha, no natal ninguém chegava perto dos meus brinquedos sem que antes eu estivesse farta de os admirar.
Ontem olhei para trás, e como se fosse capaz, tentei vestir lucidez, perceber que pretérito imperfeito não é presente. Abandonei, desisti.
Hoje é fácil de entender que é bom engolir água no mar, só para estar aqui, em cima da ponte, a avistar o porto onde um dia quis apanhar um barco para te procurar.
É bom ter esta(s) história(s) para contar, ainda com tantos segredos por destapar.
Quem sabe um dia apague a idade, e corra até ai a baixo, sem vaidade, apenas com o propósito de me despedir de ti.
Acreditas que te vi assim? Dourado, brilhante? És tão normal. De carne e osso, também perdes o pé no fundo, também pisas este chão.
A adolescência é como a maquilhagem, torna tudo mais purpurino. Agora, em vez de cores vivas, tudo se resume à simplicidade, que ainda estou a conhecer.
Não, já não morro se não meteres conversa comigo, já não choro se passar anos sem te ver. Afinal, és usual. Lembro-me de ti, mas só para me lembrar de mim. Do quão feliz tenho sido.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Tenho sempre a mania que controlo tudo. Ontem descobri que controlo muito pouco. Hoje que não controlo mesmo nada. Como vai ser amanhã?

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Ser


Eu não sei quem sou, de onde vim, para onde vou.
Não sei que chão piso, nunca desvendei o mar por inteiro.
Exalto-me quando mal respiro, e vaguei-o, vaguei-o sem fim nem paragem, sem saber interpretar o meu próprio reflexo, desfocado, nublado. Escrevo numa margem aquilo que não quero esquecer. Depois guardo o caderno, escondo-o, e não existe quem o possa ler. Porque se eu não sei quem sou, mais ninguém pode saber.

It stops today... tomorrow?

Estou tentada a ir para a guerra sem escudo. A enfrentar o escuro sem armas, a cair no chão, a levantar-me sem ninguém me dar a mão.
Estou tentada a lutar pelo que foge, e a correr por um prémio que nunca vai ser o meu.
Pára de me experimentar, que o tempo desliza, o riso transforma-se em sorriso, e a vitória pode acabar com um de nós.
E então?
Vou à guerra, ergo-me no topo, e tu ficas em baixo, sem mim, sem soldados, sem ela, sem coração.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Saudade


Eu não sei se se lembra das histórias que me contava, de como eu acreditava em cada final feliz. Acordar cedo para ver desenhos animados e já o ter à espera, à espera de me ver sorrir. Ouvir parabéns por um desenho mal feito, pintar fora do risco e, mesmo assim, saber que o ia pendurar em frente à secretaria.
Rodar contra o vento, para ver a saia baloiçar, e ter quem me segurasse para não tombar com o balanço imenso, com a velocidade ameaçadora a que queria voar.
O sol esconde-se, e as nuvens que não costumavam estar neste céu, encontro-as constantemente.
Não fazer uma pausa nas vírgulas, comer letras, por os sapatos sujos em cima do sofá da avó, e esperar que ela, cheia de razão, virasse costas para dizer que a razão muitas vezes não importa. Não querer estudar matemática, desarrumar todas as fotografias e tirar os ganchos do cabelo. Olhar para as estrelas e dançar na chuva, com ou sem musica, com ou sem trovoada, com ou sem carros a passar e a projectar água para cima de mim.
Saber que o tinha atrás dos meus ombros, a suportar medos que me pertenciam, todos os meus receios.
Onde esta a mão calorosa e o olhar directo que me abraçavam, diante todos os defeitos, com todas as asneiras dadas de bandeja para se quisesse ver? Onde estão as brincadeiras, as risadas?
Sabe que, por mais rápido que as horas passem, por mais rasteiras que me vão pregando, ensinou-me como escrever a palavra feliz, e isto de escrever é como aprender a andar de bicibleta, não se esqueçe. Veja-me daí, a cantar pela neve ou pelo mar, sobre areia ou gelo, com ou sem multidão a ouvir.
Há dias em que acho que não aguento com saudades. Ainda o posso encontrar atrás de mim?

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Ele


Ele chama-se Francisco e usa roupas de tamanho XL, quando na realidade o número que lhe assenta bem é o L. Usa-as com cores vivas, e procura dar sentido a uma existência saboreada, mesmo sabendo que muita coisa não tem de ter sentido algum.
Ele chama-se Francisco, e descalça-se à beira-mar até quando faz frio, só para sentir a areia molhada.
Olha para os dois lados, contudo, atravessa sem receios, desliza sobre perigo.
Chama-se Francisco, pesquisa novos sons, encontra-se em velhas palavras.
Busca pela verdade, luta contra a saudade.
Chama-se Francisco e ainda fecha os olhos quando o vento lhe bate na cara, continua a acreditar no infinito.
Vaguei-a pela naturalidade, esconde a vaidade. Ergue-se no topo, e raramente cai, mas quando cai, abate-se e fica deitado, no meio de sonhos escondidos, perdidos, mal agarrados, desmaiados.
Chama-se Francisco e tem um dom, faz-me voar alto. Porém, foi em baixo, bem no fundo, que percebi que juntos desfrutamos de uma qualidade: a cumplicidade.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

sem pensar duas vezes

Eu queria poder entrar numa mensagem, sim, numa sms como lhe intitulam. Matar saudade e conhecer todas as letras da palavra liberdade. Navegar por todo o mundo, encontrar o fundo de todos os canais. Conhecer o selvagem e, em cada viagem, grátis e sem complicações, no meio de multidões tornar-me alguém que não eu. Apagar a mentira e a injustiça do vocabulário. Encher a minha capacidade, e, com vaidade contaria como é viver no auge da sólida felicidade.
Procuraria até avistar o mundo nas mãos de alguém, e, depois de guardado, abria as minhas por entre povos e culturas. Sem medos. Sem medo de viver, de sentir, de sair, sem medo de voar.
Levava uma mochila vazia que certamente ficaria cheia. Cheia de sorrisos diferentes, de olhos de cores transparentes, escuras e únicas. Cada tinta, cada sabor, cada textura, cada cheiro.
E um dia, mas só um dia, encontrar-te-ia na rua, bem vestido e diplomático, com 3 carros na garagem e uma vivenda T5 e abraçar-te-ia, com pena. Afinal, o mundo não é teu. O mundo é de quem o conhece, de quem o quer bem, de quem procura e encontra, nem que através de breves momentos, de lembranças, fotografias, sonhos.
Eu queria poder entrar numa mensagem, e só sair quando tudo deixasse de fazer sentido, quando todos os caracteres estivessem ocupados.

domingo, 4 de abril de 2010

Viagens


Mesmo que só por uns dias é bom ter asas completas para voar num céu novo, limpo e sem perigos!

sábado, 3 de abril de 2010

Mas porque?

Em miúda sempre me fizeram confusão as velhotas vestidas de preto. Sapatos, collants, saia, blusa, casaco, mala, tudo da mesma cor – se é que se deve chamar de cor -.
A falta de conhecimento infantil despertava curiosidade.
- Mas porque?
- É uma maneira de representar a dor e a saudade, de esconder a vaidade, de apagar esperanças, homenagear e lembrar.
Hoje entendo, e a confusão que um dia me fez foi-se dissolvendo com as purpurinas e os batons que começaram a encher o armário.
Percebi por momentos as razões entre peças de roupa preta que também eu encontrei no meu caminho, mas momentos são momentos, breves e apagados com facilidade por outros, ou simplesmente pelo stress que nos envolve desde as 7h às 23h.
A confusão voltou imediatamente quando a vi numa manhã de sol radiante assim. De preto. Não só vestida de preto, mas com um coração preto. E quando era pequenina ele era encarnado, quente.
Onde vai dessa maneira? Diga-me o que lhe dói. Queria pintar as ausências que a vida lhe proporcionou com os lápis de cor que um dia me ensinou a usar, sem passar do risco.
Tire esse casaco e lance essa saia! Não percebe que desta maneira chove em mim também? Dê-me a sua mão e transforme um sorriso simples na maior alegria do meu dia.
Venha ao céu comigo, eu sei que ainda sabe voar. Tem olhos verdes e canta com os pássaros que passam pelo jardim. Cantava? Não se apague, senhora vestida de preto, sem coração verdadeiro, sem liberdade para ser feliz. Salte comigo, não caia agora, é a minha vez de dar a mão.
- Mas porque?

closed

Adoro o museu presente em mim. As representações, as imagens e as palavras. Os dramas, as comedias, os romances.
Às vezes é bom entrar nele, passear pelas estantes horas e horas, noites e noites, olhar com vaidade e lembrar cada promessa cortada, cada traço cada vez mais apagado pelo vento.
É encantador ver-nos daqui, deste museu alto e intacto em mim onde cada peça permanece inteira por mais pó que transporte, onde sentimentos ganharam formas de objectos e objectos provocam mil sensações.
Adoro-o, e, apesar de não ser classificado como arte enriquece-me numa porção imensa e intensa com experiencias e emoções.
Vou preserva-lo e deixa-lo para sempre aqui, o papel na porta só dirá open quando alguém, vestido de sorrisos verdadeiros provar merecer um lugar nele, e tu ainda não demonstraste nada. Nada.

terça-feira, 30 de março de 2010

Indecifrável


Há coisas que eu nunca vou conseguir entender. Não alcanço, não consigo. Ultrapassam-me, superam os meus sentidos, abatem as minhas seguranças.
Não percebo, nem consigo adiantar muito, escrever ainda menos, pois é alto demais para ver, é escuro com escuro, claro com claro, sem contraste e nitidez. Penso, reviro-me na cama, olho no fundo da questão, encontro-me por breves momentos, perco-me por horas infinitas.
Parece que vai ser assim, poucas linhas, escassas palavras, mais uma história imperfeita sem final feliz.

sexta-feira, 19 de março de 2010

dadi


"Contigo, aprendi a saber o que é unidade
A ouvir o que não chega ser dito,
A sentir o que tu pensas,
Sabendo que pensas o que sinto…
Aprendi a saber de mim, através do que sei de ti…
Aprendi a conhecer o silêncio
A conhecer o seu dicionário mudo
Apenas pelo olhar,
Não preciso de palavras, para saber de ti
E sei que também não precisas
Porque sabemos o que sentimos…
Aprendi a suportar o mistério que nos une
A força que nos comanda
A energia que sentimos…
Aprendi contigo o valor de sermos “dois” e “um”
Estarmos juntos, estando separados,
Numa integridade única de quem sabe o que quer…
Aprendi contigo e com essa empatia
Que temos ainda muito que aprender
Que rir, cantar, chorar e amar
É apenas o segredo de sermos
Duas almas que sentem as dores um do outro…
AMO-TE Pai."

segunda-feira, 15 de março de 2010

às vezes ainda te encontro


Ela não é como eu, é tão diferente de mim… mais do que eu imaginava poder ser suportado.
Olho nos olhos do mundo, encaro a luz e a escuridão que vem com a noite e com o frio dos dias. Passo obstáculos, não declaro facilidades nem ao que é evidente. Preocupo-me, balanço, caio e levanto-me vezes sem conta.
Ela está entre bengalas e livros cheios de pó, agora acho-a em ruas fotografadas, em momentos guardados. Ela que sonha vestir um vestido até aos pés e encher o luar de brilhantes cristalinos como a água do mar em Agosto, quando o sol lhe bate intensamente.
Ela que acredita no amor mais claro e leve, que se encontra entre brancos e amarelos, deixando o cinzento numa estante distante, onde os romances não têm lugar.
Reconheço-a em dias assim, em que o encanto sobrepõe o escuro e as desilusões. Reconheço-a bem no fundo, antes de adormecer, quando as luzes se apagam e fico só eu e ela, sem medos, sem inseguranças. Encontro-a em mim, no que uma borracha fria - como a vida - nunca poderá apagar.

história(s)


Eles tinham a mesma idade, crianças que sorriam sem razão aparente, que se cruzaram por acaso – se o acaso existir – num mundo cheio demais.
Ela acordava mais cedo ao fim-de-semana para ver a cinderela, planeava ser princesa e voar pelos céus em busca do que a ia tornar completamente feliz. Vestia-se com o arco-íris e o sol predominava nos seus longos e lisos cabelos.
Ele ansiava cada vez mais o real, satisfazia-se com uma tarde a jogar futebol com os amigos, a imitar o que via os mais velhos fazer. A escola interessava-lhe quando tocava para a saída. Juntava-se com o seu eminente grupo – que ainda hoje é o mesmo - para observar, rir, conversar. Já não era a mãe a meter-lhe a roupa na cadeira antes de ir dormir, já não eram os bonecos da televisão que o entusiasmavam.
Descobriram-se um dia, ela a vender um sorriso verdadeiro e caloroso, ele com a indiferença de quem está no topo. Chocaram de imediato numa batalha de personalidades ainda incompletas.
Os caminhos voltaram a tocar-se anos depois, e o sorriso dela, idêntico, mostrou-se superior ao toque arrogante que o caracterizava. Contudo, não chegou para o abater, não chegou para que, sem magia, fosse este o príncipe dos seus filmes de encantar.
Ele não abdica da vaidade, ela não abandona a simplicidade. Porém, com a ajuda de uma fada podiam alcançar o céu. Vê-se no olhar de cada um. No azul frio dele, no castanho quente dela.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

start


Traça pontos no mapa, esclarece-me acerca do destino que nos está destinado.
Não comprei bilhete, contudo, fui transferida para uma viagem sem volta, e logo neste avião que tende a não manter a velocidade, que tão depressa vai pesado como vai leve e solto, cheio de arranques e reviravoltas. Passa por chuvas fortes, encara frentes de ar, ainda assim permanece intacto, sem problemas maiores. Resta(-me) saber como vai ser a aterragem.
Encosto-me ao banco, tento adormecer, percebo que é impossível fechar os olhos aos teus.
Procuro-me e questiono onde estou, tu respondes mas parece-me longe demais para acreditar, para sentir.
É possível ter andado tão poucos dias e já estar acima do céu?

Dois caminhos


Ele foca o olhar no futuro, naquilo que presentemente lhe preenche os dias. Destaca o sorriso antigo e dá-lhe uma razão actual. Sabe as datas mais importantes como a do dia em que lhe pediu para namorar de joelhos, recorda-se melhor delas do que dos trabalhos de casa que insiste em não fazer aula após aula. Lembra-se, porém, não as comemora, não as publica.
Ela anda pelo mundo, de cabelo esvoaçante e olhos claros. Desliza pela vida e não mostra nódoas negras, nem as mais salientes.
Solta o cabelo quando sai de casa, envaidece-se de cada capacidade que lhe foi concebida por deus.
Ele já não a ama como antes, ela joga com a amizade que ambos compraram.
Agora, ele está com outra pessoa enquanto ela comemora o dia se S. Valentim com as melhores amigas. Eles não estão juntos, mas um dia estiveram, e sonharam estar para sempre.
A clareza e simplicidade de cada um contam essa história e ligam-se sempre que passam lado a lado pela rua vazia, que com simples filmes de amor fica tão cheia.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

vais ver


Vou fazer uma revolução liberal! Umas daquelas como fizeram em França, em Inglaterra… só que bem à minha maneira! Vou planeá-la, traçar um rumo no mapa, concretiza-la na perfeição.
Vou fazer uma revolução, sim, mais uma menos uma…
Vou-me revoltar contra o teu sorriso, contra a tua simplicidade, vou fugir do teu brilho e contra-atacar com o meu mistério, calma e lealdade.
Vou deixar-te no chão, passar tranquilamente e dar-te a mão, apenas com o propósito de te apresentar um novo sonho, de te mostrar um novo caminho, de desenhar o teu nome na minha realidade.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

boy(s)

Porque é que olhamos interminavelmente para os despenteados, convencidos e que tem a mania que todas andam atrás deles? Onde é que está o feitiço, a diferença destes para os outros?
Se andar na corda bamba é tudo menos encantador, porque e que nos cativa? E não saber se somos as tais, pois na realidade tem uma porção maior que a desejável por onde escolher… onde está a piada? Encontram-na?
Na verdade pressinto que os homens/rapazes com as calças da levi’s claras e gastas quase a cair, as blusas largas e com uma aparente despreocupação no visual são os que mais nos atraem… tudo bem, podemos dizer “não, ele não é para mim” durante algum tempo, contudo, na realidade, há um rapaz ideal para cada uma de nós? Se houvesse qual seria o sentido de não escolhermos de quem gostamos? Da incessante procura, das ofuscadas certezas que pensamos ter e que abalam tão rápido, tão depressa?
E é possível odiar-se e amar-se alguém ao mesmo tempo? Dizer mal dele, e, no entanto, passar o dia a desejar encontrá-lo? Sonhar com momentos de compaixão e expressar o oposto olhos nos olhos? A lógica não é muita, afinal, só há uma verdadeira explicação, pouco ou nada científica, que explica tanto com tão poucas letras: o amor. O amor é inevitável, impossível de controlar, de esquecer quando tencionamos, de ultrapassar de um dia para o outro, de um mês para o outro, de um ano para o outro – e este tempo passa tão rápido, rápido demais quase regra geral -, quem sabe até por toda a vida.
Não sei se existem amores-perfeitos, se sim, não os conheço, nem sequer sei se conheço ao certo o amor. Já tremi, chorei e senti o meu coração bater forte, tanto, capaz de controlar o resto do corpo, mesmo a mente. Se for isso então eu conheço-o bem, então já o vivi, já o senti… e continuo a sentir. Porque ontem, quando te vi à minha frente, de cabelo despenteado, mochila sem livros lá dentro e uma auto-estima do tamanho do mundo tudo parou, o meu coração bateu cada vez mais forte e o sorriso, o sorriso mais tonto que sei fazer não desapareceu da minha cara por mais voltas que o ponteiro do relógio afirmasse.
Espero por alguém como tu, que me mostre a cumplicidade eterna, o conforto permanente, a confiança, o claro no meio do escuro. Espero por alguém como tu, não por ti.

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