
Faz teoricamente um mês, achei que não voltaria a abrir os olhos diante o sol, com a porção de chuva a transbordar pelo tom castanho, pelas margens brancas. Pensei que nunca mais te iria avistar, nem que corre-se o mundo apenas com esse propósito. De avião não te conseguiria ver, de barco não conseguiria chegar a ti.
A semana passada sonhei contigo, quando acordei julguei que jamais passaria de um sonho e, por momentos, ao questionar tudo, entendi que talvez nada fizesse mais sentido.
Não liguei, segui. Pensei em ti até escurecer, em como seria perfeito se estivesses aqui. Como se houvesse alguma coisa perfeita.
Antes de ontem apanhei o malmequer mais bonito do jardim, e descobri que me queres bem… mas e se queres mais alguém? Tens noção de como isso modificaria a minha vida?
Nunca simpatizei com a partilha, no natal ninguém chegava perto dos meus brinquedos sem que antes eu estivesse farta de os admirar.
Ontem olhei para trás, e como se fosse capaz, tentei vestir lucidez, perceber que pretérito imperfeito não é presente. Abandonei, desisti.
Hoje é fácil de entender que é bom engolir água no mar, só para estar aqui, em cima da ponte, a avistar o porto onde um dia quis apanhar um barco para te procurar.
É bom ter esta(s) história(s) para contar, ainda com tantos segredos por destapar.
Quem sabe um dia apague a idade, e corra até ai a baixo, sem vaidade, apenas com o propósito de me despedir de ti.
Acreditas que te vi assim? Dourado, brilhante? És tão normal. De carne e osso, também perdes o pé no fundo, também pisas este chão.
A adolescência é como a maquilhagem, torna tudo mais purpurino. Agora, em vez de cores vivas, tudo se resume à simplicidade, que ainda estou a conhecer.
Não, já não morro se não meteres conversa comigo, já não choro se passar anos sem te ver. Afinal, és usual. Lembro-me de ti, mas só para me lembrar de mim. Do quão feliz tenho sido.