quinta-feira, 30 de setembro de 2010


Cheguei a casa, lançei a mala, e desejei poder agarrar no telefone para te contar o meu dia. Foste a melhor amiga que alguma vez conheci.

domingo, 19 de setembro de 2010


“Vou ali, já venho!”, “até outro dia”, “então vá, vemo-nos por ai”, “beijinhos, porta-te bem” são as expressões que mais insisto em reproduzir ao sentimento que tenho por ti, esse idiota que me liga todas as noites, que passa o dia a mandar-me mensagens, que corre pela rua atrás de mim. Esse que não me quer largar, que por mais participantes que haja na corrida não desiste, desta vez pretende mesmo vencer.
E eu, que o julguei preguiçoso, sem grandes objectivos, começo a ter medo, medo que me ultrapasse até a mim, a ele, a ela, aos meus sonhos, medo que empate com o meu coração.

Põe-me no chão.

sábado, 18 de setembro de 2010

quarta-feira, 15 de setembro de 2010


- Importaste de andar mais rápido? Está a começar a chover e a tua casa ainda não se vê daqui!
- Espera…
- Vá, está quase.
- Não, pára!
- Mas tu és normal? O que foi?
- Espera 5 minutos…
(Passaram 10, 15…)
- Estás a ver? Começou a chover, e ainda não percebi porque é que paramos.
- Só te queria dizer, debaixo de chuva, que te amo.

(Quase dois anos depois…)

- Olha lá, lembraste de quando te fiz ficar aqui parada à espera da chuva?
- Lembro, claro.
- Então é só para te dizer que está sol, mas ainda sinto o mesmo.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010


Faz teoricamente um mês, achei que não voltaria a abrir os olhos diante o sol, com a porção de chuva a transbordar pelo tom castanho, pelas margens brancas. Pensei que nunca mais te iria avistar, nem que corre-se o mundo apenas com esse propósito. De avião não te conseguiria ver, de barco não conseguiria chegar a ti.
A semana passada sonhei contigo, quando acordei julguei que jamais passaria de um sonho e, por momentos, ao questionar tudo, entendi que talvez nada fizesse mais sentido.
Não liguei, segui. Pensei em ti até escurecer, em como seria perfeito se estivesses aqui. Como se houvesse alguma coisa perfeita.
Antes de ontem apanhei o malmequer mais bonito do jardim, e descobri que me queres bem… mas e se queres mais alguém? Tens noção de como isso modificaria a minha vida?
Nunca simpatizei com a partilha, no natal ninguém chegava perto dos meus brinquedos sem que antes eu estivesse farta de os admirar.
Ontem olhei para trás, e como se fosse capaz, tentei vestir lucidez, perceber que pretérito imperfeito não é presente. Abandonei, desisti.
Hoje é fácil de entender que é bom engolir água no mar, só para estar aqui, em cima da ponte, a avistar o porto onde um dia quis apanhar um barco para te procurar.
É bom ter esta(s) história(s) para contar, ainda com tantos segredos por destapar.
Quem sabe um dia apague a idade, e corra até ai a baixo, sem vaidade, apenas com o propósito de me despedir de ti.
Acreditas que te vi assim? Dourado, brilhante? És tão normal. De carne e osso, também perdes o pé no fundo, também pisas este chão.
A adolescência é como a maquilhagem, torna tudo mais purpurino. Agora, em vez de cores vivas, tudo se resume à simplicidade, que ainda estou a conhecer.
Não, já não morro se não meteres conversa comigo, já não choro se passar anos sem te ver. Afinal, és usual. Lembro-me de ti, mas só para me lembrar de mim. Do quão feliz tenho sido.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Tenho sempre a mania que controlo tudo. Ontem descobri que controlo muito pouco. Hoje que não controlo mesmo nada. Como vai ser amanhã?

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Ser


Eu não sei quem sou, de onde vim, para onde vou.
Não sei que chão piso, nunca desvendei o mar por inteiro.
Exalto-me quando mal respiro, e vaguei-o, vaguei-o sem fim nem paragem, sem saber interpretar o meu próprio reflexo, desfocado, nublado. Escrevo numa margem aquilo que não quero esquecer. Depois guardo o caderno, escondo-o, e não existe quem o possa ler. Porque se eu não sei quem sou, mais ninguém pode saber.

It stops today... tomorrow?

Estou tentada a ir para a guerra sem escudo. A enfrentar o escuro sem armas, a cair no chão, a levantar-me sem ninguém me dar a mão.
Estou tentada a lutar pelo que foge, e a correr por um prémio que nunca vai ser o meu.
Pára de me experimentar, que o tempo desliza, o riso transforma-se em sorriso, e a vitória pode acabar com um de nós.
E então?
Vou à guerra, ergo-me no topo, e tu ficas em baixo, sem mim, sem soldados, sem ela, sem coração.

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