segunda-feira, 24 de maio de 2010

sem pensar duas vezes

Eu queria poder entrar numa mensagem, sim, numa sms como lhe intitulam. Matar saudade e conhecer todas as letras da palavra liberdade. Navegar por todo o mundo, encontrar o fundo de todos os canais. Conhecer o selvagem e, em cada viagem, grátis e sem complicações, no meio de multidões tornar-me alguém que não eu. Apagar a mentira e a injustiça do vocabulário. Encher a minha capacidade, e, com vaidade contaria como é viver no auge da sólida felicidade.
Procuraria até avistar o mundo nas mãos de alguém, e, depois de guardado, abria as minhas por entre povos e culturas. Sem medos. Sem medo de viver, de sentir, de sair, sem medo de voar.
Levava uma mochila vazia que certamente ficaria cheia. Cheia de sorrisos diferentes, de olhos de cores transparentes, escuras e únicas. Cada tinta, cada sabor, cada textura, cada cheiro.
E um dia, mas só um dia, encontrar-te-ia na rua, bem vestido e diplomático, com 3 carros na garagem e uma vivenda T5 e abraçar-te-ia, com pena. Afinal, o mundo não é teu. O mundo é de quem o conhece, de quem o quer bem, de quem procura e encontra, nem que através de breves momentos, de lembranças, fotografias, sonhos.
Eu queria poder entrar numa mensagem, e só sair quando tudo deixasse de fazer sentido, quando todos os caracteres estivessem ocupados.

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