
Ela não é como eu, é tão diferente de mim… mais do que eu imaginava poder ser suportado.
Olho nos olhos do mundo, encaro a luz e a escuridão que vem com a noite e com o frio dos dias. Passo obstáculos, não declaro facilidades nem ao que é evidente. Preocupo-me, balanço, caio e levanto-me vezes sem conta.
Ela está entre bengalas e livros cheios de pó, agora acho-a em ruas fotografadas, em momentos guardados. Ela que sonha vestir um vestido até aos pés e encher o luar de brilhantes cristalinos como a água do mar em Agosto, quando o sol lhe bate intensamente.
Ela que acredita no amor mais claro e leve, que se encontra entre brancos e amarelos, deixando o cinzento numa estante distante, onde os romances não têm lugar.
Reconheço-a em dias assim, em que o encanto sobrepõe o escuro e as desilusões. Reconheço-a bem no fundo, antes de adormecer, quando as luzes se apagam e fico só eu e ela, sem medos, sem inseguranças. Encontro-a em mim, no que uma borracha fria - como a vida - nunca poderá apagar.

1 comentário:
Outras partes de nós.
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