domingo, 4 de abril de 2010

Viagens


Mesmo que só por uns dias é bom ter asas completas para voar num céu novo, limpo e sem perigos!

sábado, 3 de abril de 2010

Mas porque?

Em miúda sempre me fizeram confusão as velhotas vestidas de preto. Sapatos, collants, saia, blusa, casaco, mala, tudo da mesma cor – se é que se deve chamar de cor -.
A falta de conhecimento infantil despertava curiosidade.
- Mas porque?
- É uma maneira de representar a dor e a saudade, de esconder a vaidade, de apagar esperanças, homenagear e lembrar.
Hoje entendo, e a confusão que um dia me fez foi-se dissolvendo com as purpurinas e os batons que começaram a encher o armário.
Percebi por momentos as razões entre peças de roupa preta que também eu encontrei no meu caminho, mas momentos são momentos, breves e apagados com facilidade por outros, ou simplesmente pelo stress que nos envolve desde as 7h às 23h.
A confusão voltou imediatamente quando a vi numa manhã de sol radiante assim. De preto. Não só vestida de preto, mas com um coração preto. E quando era pequenina ele era encarnado, quente.
Onde vai dessa maneira? Diga-me o que lhe dói. Queria pintar as ausências que a vida lhe proporcionou com os lápis de cor que um dia me ensinou a usar, sem passar do risco.
Tire esse casaco e lance essa saia! Não percebe que desta maneira chove em mim também? Dê-me a sua mão e transforme um sorriso simples na maior alegria do meu dia.
Venha ao céu comigo, eu sei que ainda sabe voar. Tem olhos verdes e canta com os pássaros que passam pelo jardim. Cantava? Não se apague, senhora vestida de preto, sem coração verdadeiro, sem liberdade para ser feliz. Salte comigo, não caia agora, é a minha vez de dar a mão.
- Mas porque?

closed

Adoro o museu presente em mim. As representações, as imagens e as palavras. Os dramas, as comedias, os romances.
Às vezes é bom entrar nele, passear pelas estantes horas e horas, noites e noites, olhar com vaidade e lembrar cada promessa cortada, cada traço cada vez mais apagado pelo vento.
É encantador ver-nos daqui, deste museu alto e intacto em mim onde cada peça permanece inteira por mais pó que transporte, onde sentimentos ganharam formas de objectos e objectos provocam mil sensações.
Adoro-o, e, apesar de não ser classificado como arte enriquece-me numa porção imensa e intensa com experiencias e emoções.
Vou preserva-lo e deixa-lo para sempre aqui, o papel na porta só dirá open quando alguém, vestido de sorrisos verdadeiros provar merecer um lugar nele, e tu ainda não demonstraste nada. Nada.

terça-feira, 30 de março de 2010

Indecifrável


Há coisas que eu nunca vou conseguir entender. Não alcanço, não consigo. Ultrapassam-me, superam os meus sentidos, abatem as minhas seguranças.
Não percebo, nem consigo adiantar muito, escrever ainda menos, pois é alto demais para ver, é escuro com escuro, claro com claro, sem contraste e nitidez. Penso, reviro-me na cama, olho no fundo da questão, encontro-me por breves momentos, perco-me por horas infinitas.
Parece que vai ser assim, poucas linhas, escassas palavras, mais uma história imperfeita sem final feliz.

sexta-feira, 19 de março de 2010

dadi


"Contigo, aprendi a saber o que é unidade
A ouvir o que não chega ser dito,
A sentir o que tu pensas,
Sabendo que pensas o que sinto…
Aprendi a saber de mim, através do que sei de ti…
Aprendi a conhecer o silêncio
A conhecer o seu dicionário mudo
Apenas pelo olhar,
Não preciso de palavras, para saber de ti
E sei que também não precisas
Porque sabemos o que sentimos…
Aprendi a suportar o mistério que nos une
A força que nos comanda
A energia que sentimos…
Aprendi contigo o valor de sermos “dois” e “um”
Estarmos juntos, estando separados,
Numa integridade única de quem sabe o que quer…
Aprendi contigo e com essa empatia
Que temos ainda muito que aprender
Que rir, cantar, chorar e amar
É apenas o segredo de sermos
Duas almas que sentem as dores um do outro…
AMO-TE Pai."

segunda-feira, 15 de março de 2010

às vezes ainda te encontro


Ela não é como eu, é tão diferente de mim… mais do que eu imaginava poder ser suportado.
Olho nos olhos do mundo, encaro a luz e a escuridão que vem com a noite e com o frio dos dias. Passo obstáculos, não declaro facilidades nem ao que é evidente. Preocupo-me, balanço, caio e levanto-me vezes sem conta.
Ela está entre bengalas e livros cheios de pó, agora acho-a em ruas fotografadas, em momentos guardados. Ela que sonha vestir um vestido até aos pés e encher o luar de brilhantes cristalinos como a água do mar em Agosto, quando o sol lhe bate intensamente.
Ela que acredita no amor mais claro e leve, que se encontra entre brancos e amarelos, deixando o cinzento numa estante distante, onde os romances não têm lugar.
Reconheço-a em dias assim, em que o encanto sobrepõe o escuro e as desilusões. Reconheço-a bem no fundo, antes de adormecer, quando as luzes se apagam e fico só eu e ela, sem medos, sem inseguranças. Encontro-a em mim, no que uma borracha fria - como a vida - nunca poderá apagar.

Seguidores

Powered By Blogger