terça-feira, 30 de março de 2010

Indecifrável


Há coisas que eu nunca vou conseguir entender. Não alcanço, não consigo. Ultrapassam-me, superam os meus sentidos, abatem as minhas seguranças.
Não percebo, nem consigo adiantar muito, escrever ainda menos, pois é alto demais para ver, é escuro com escuro, claro com claro, sem contraste e nitidez. Penso, reviro-me na cama, olho no fundo da questão, encontro-me por breves momentos, perco-me por horas infinitas.
Parece que vai ser assim, poucas linhas, escassas palavras, mais uma história imperfeita sem final feliz.

sexta-feira, 19 de março de 2010

dadi


"Contigo, aprendi a saber o que é unidade
A ouvir o que não chega ser dito,
A sentir o que tu pensas,
Sabendo que pensas o que sinto…
Aprendi a saber de mim, através do que sei de ti…
Aprendi a conhecer o silêncio
A conhecer o seu dicionário mudo
Apenas pelo olhar,
Não preciso de palavras, para saber de ti
E sei que também não precisas
Porque sabemos o que sentimos…
Aprendi a suportar o mistério que nos une
A força que nos comanda
A energia que sentimos…
Aprendi contigo o valor de sermos “dois” e “um”
Estarmos juntos, estando separados,
Numa integridade única de quem sabe o que quer…
Aprendi contigo e com essa empatia
Que temos ainda muito que aprender
Que rir, cantar, chorar e amar
É apenas o segredo de sermos
Duas almas que sentem as dores um do outro…
AMO-TE Pai."

segunda-feira, 15 de março de 2010

às vezes ainda te encontro


Ela não é como eu, é tão diferente de mim… mais do que eu imaginava poder ser suportado.
Olho nos olhos do mundo, encaro a luz e a escuridão que vem com a noite e com o frio dos dias. Passo obstáculos, não declaro facilidades nem ao que é evidente. Preocupo-me, balanço, caio e levanto-me vezes sem conta.
Ela está entre bengalas e livros cheios de pó, agora acho-a em ruas fotografadas, em momentos guardados. Ela que sonha vestir um vestido até aos pés e encher o luar de brilhantes cristalinos como a água do mar em Agosto, quando o sol lhe bate intensamente.
Ela que acredita no amor mais claro e leve, que se encontra entre brancos e amarelos, deixando o cinzento numa estante distante, onde os romances não têm lugar.
Reconheço-a em dias assim, em que o encanto sobrepõe o escuro e as desilusões. Reconheço-a bem no fundo, antes de adormecer, quando as luzes se apagam e fico só eu e ela, sem medos, sem inseguranças. Encontro-a em mim, no que uma borracha fria - como a vida - nunca poderá apagar.

história(s)


Eles tinham a mesma idade, crianças que sorriam sem razão aparente, que se cruzaram por acaso – se o acaso existir – num mundo cheio demais.
Ela acordava mais cedo ao fim-de-semana para ver a cinderela, planeava ser princesa e voar pelos céus em busca do que a ia tornar completamente feliz. Vestia-se com o arco-íris e o sol predominava nos seus longos e lisos cabelos.
Ele ansiava cada vez mais o real, satisfazia-se com uma tarde a jogar futebol com os amigos, a imitar o que via os mais velhos fazer. A escola interessava-lhe quando tocava para a saída. Juntava-se com o seu eminente grupo – que ainda hoje é o mesmo - para observar, rir, conversar. Já não era a mãe a meter-lhe a roupa na cadeira antes de ir dormir, já não eram os bonecos da televisão que o entusiasmavam.
Descobriram-se um dia, ela a vender um sorriso verdadeiro e caloroso, ele com a indiferença de quem está no topo. Chocaram de imediato numa batalha de personalidades ainda incompletas.
Os caminhos voltaram a tocar-se anos depois, e o sorriso dela, idêntico, mostrou-se superior ao toque arrogante que o caracterizava. Contudo, não chegou para o abater, não chegou para que, sem magia, fosse este o príncipe dos seus filmes de encantar.
Ele não abdica da vaidade, ela não abandona a simplicidade. Porém, com a ajuda de uma fada podiam alcançar o céu. Vê-se no olhar de cada um. No azul frio dele, no castanho quente dela.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

start


Traça pontos no mapa, esclarece-me acerca do destino que nos está destinado.
Não comprei bilhete, contudo, fui transferida para uma viagem sem volta, e logo neste avião que tende a não manter a velocidade, que tão depressa vai pesado como vai leve e solto, cheio de arranques e reviravoltas. Passa por chuvas fortes, encara frentes de ar, ainda assim permanece intacto, sem problemas maiores. Resta(-me) saber como vai ser a aterragem.
Encosto-me ao banco, tento adormecer, percebo que é impossível fechar os olhos aos teus.
Procuro-me e questiono onde estou, tu respondes mas parece-me longe demais para acreditar, para sentir.
É possível ter andado tão poucos dias e já estar acima do céu?

Dois caminhos


Ele foca o olhar no futuro, naquilo que presentemente lhe preenche os dias. Destaca o sorriso antigo e dá-lhe uma razão actual. Sabe as datas mais importantes como a do dia em que lhe pediu para namorar de joelhos, recorda-se melhor delas do que dos trabalhos de casa que insiste em não fazer aula após aula. Lembra-se, porém, não as comemora, não as publica.
Ela anda pelo mundo, de cabelo esvoaçante e olhos claros. Desliza pela vida e não mostra nódoas negras, nem as mais salientes.
Solta o cabelo quando sai de casa, envaidece-se de cada capacidade que lhe foi concebida por deus.
Ele já não a ama como antes, ela joga com a amizade que ambos compraram.
Agora, ele está com outra pessoa enquanto ela comemora o dia se S. Valentim com as melhores amigas. Eles não estão juntos, mas um dia estiveram, e sonharam estar para sempre.
A clareza e simplicidade de cada um contam essa história e ligam-se sempre que passam lado a lado pela rua vazia, que com simples filmes de amor fica tão cheia.

Seguidores

Powered By Blogger