Com tanta coisa para dizer não tenho conseguido escrever. Bebo café, agarro na folha e na caneta e adormeço com tudo em cima de mim.
Não sei se és tu se sou eu, se é ele, ela ou tudo junto numa enorme bola de neve.
Não sei se é a tua distância, os teus olhos de adeus, se é a minha mágoa de alguém que não está habituado a perder.
Tu lês-me bem, reconheces as minhas vitórias e já decoraste que costumava ser eu a primeira a bater com a porta.
Agora olho para o horizonte da minha janela e vejo-te a ir. Vejo-te a ir devagar e num dia quente como antes eras comigo. Olho e já estas longe, e a corda que deveria ter construído ao longo dos anos para te segurar não a tenho, nunca as soube fazer.
Agora diz-me como te agarro, as minhas forças estão a acabar, os nossos sonhos a desfazer-se.
Por favor, volta para trás e esclarece-me, diz ao meu ouvido que é um pesadelo.
Foi a primeira vez que escrevi para ti, foi a primeira vez que senti que te perdi.
domingo, 6 de março de 2011
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Sai de casa, virei à esquerda. Sabia que tinha de ir, não podia esperar, o ponteiro já estava ultrapassado, o tempo corre-me pelo corpo, a saudade mata-me todos os dias.
Sai de casa, virei à esquerda, pus o capacete sem sequer o apertar. Reflecti sem sucesso, arranquei, e sabia, sabia tão bem o quão tarde se fez…
A noite põe-se cada vez mais rápido, o sol desaparece, formam-se nuvens cor de sal negro, amargo sabor incessante. Perco-me pelo caminho, a chuva começa a cair em mim como ondas cavalgantes, acesas, em chama.
Cheguei, tirei o capacete, e sem ter tempo para respirar compus paço após paço para chegar à mesma história de sempre. Andei até si, falei consigo, senti os seus braços, imaginei-me ali, todos os dias, a ouvir cada vocábulo, a tentar aceitar todas as críticas. Por instantes não tive medo, não olhei à volta, éramos só nós tal como antes.
Sai, quase corri até à porta na certeza que assim custava menos dizer adeus mais uma vez, porém não, não custa, dói perpetuamente o mesmo, consome a minha mente integralmente, a racionalização que me resta.
Sai, sai sem saber se queria ou não voltar. O vento soprava e todos os resíduos apagados escreviam-se novamente em mim… não quero, gritei, tentei fugir. É fácil apanhar-me assim, é batota, não valeu. Nunca vale, o que é certo é que todos acabamos por perder. - Eu quero perder como ele, com uma enorme vantagem no resultado -.
Gosto tanto de si…
Durma bem, sorria assim que o sol nascer. Eu sorrio quando me lembro de tudo o que me transmite. Até amanhã.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
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