quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

start


Traça pontos no mapa, esclarece-me acerca do destino que nos está destinado.
Não comprei bilhete, contudo, fui transferida para uma viagem sem volta, e logo neste avião que tende a não manter a velocidade, que tão depressa vai pesado como vai leve e solto, cheio de arranques e reviravoltas. Passa por chuvas fortes, encara frentes de ar, ainda assim permanece intacto, sem problemas maiores. Resta(-me) saber como vai ser a aterragem.
Encosto-me ao banco, tento adormecer, percebo que é impossível fechar os olhos aos teus.
Procuro-me e questiono onde estou, tu respondes mas parece-me longe demais para acreditar, para sentir.
É possível ter andado tão poucos dias e já estar acima do céu?

Dois caminhos


Ele foca o olhar no futuro, naquilo que presentemente lhe preenche os dias. Destaca o sorriso antigo e dá-lhe uma razão actual. Sabe as datas mais importantes como a do dia em que lhe pediu para namorar de joelhos, recorda-se melhor delas do que dos trabalhos de casa que insiste em não fazer aula após aula. Lembra-se, porém, não as comemora, não as publica.
Ela anda pelo mundo, de cabelo esvoaçante e olhos claros. Desliza pela vida e não mostra nódoas negras, nem as mais salientes.
Solta o cabelo quando sai de casa, envaidece-se de cada capacidade que lhe foi concebida por deus.
Ele já não a ama como antes, ela joga com a amizade que ambos compraram.
Agora, ele está com outra pessoa enquanto ela comemora o dia se S. Valentim com as melhores amigas. Eles não estão juntos, mas um dia estiveram, e sonharam estar para sempre.
A clareza e simplicidade de cada um contam essa história e ligam-se sempre que passam lado a lado pela rua vazia, que com simples filmes de amor fica tão cheia.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

vais ver


Vou fazer uma revolução liberal! Umas daquelas como fizeram em França, em Inglaterra… só que bem à minha maneira! Vou planeá-la, traçar um rumo no mapa, concretiza-la na perfeição.
Vou fazer uma revolução, sim, mais uma menos uma…
Vou-me revoltar contra o teu sorriso, contra a tua simplicidade, vou fugir do teu brilho e contra-atacar com o meu mistério, calma e lealdade.
Vou deixar-te no chão, passar tranquilamente e dar-te a mão, apenas com o propósito de te apresentar um novo sonho, de te mostrar um novo caminho, de desenhar o teu nome na minha realidade.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

boy(s)

Porque é que olhamos interminavelmente para os despenteados, convencidos e que tem a mania que todas andam atrás deles? Onde é que está o feitiço, a diferença destes para os outros?
Se andar na corda bamba é tudo menos encantador, porque e que nos cativa? E não saber se somos as tais, pois na realidade tem uma porção maior que a desejável por onde escolher… onde está a piada? Encontram-na?
Na verdade pressinto que os homens/rapazes com as calças da levi’s claras e gastas quase a cair, as blusas largas e com uma aparente despreocupação no visual são os que mais nos atraem… tudo bem, podemos dizer “não, ele não é para mim” durante algum tempo, contudo, na realidade, há um rapaz ideal para cada uma de nós? Se houvesse qual seria o sentido de não escolhermos de quem gostamos? Da incessante procura, das ofuscadas certezas que pensamos ter e que abalam tão rápido, tão depressa?
E é possível odiar-se e amar-se alguém ao mesmo tempo? Dizer mal dele, e, no entanto, passar o dia a desejar encontrá-lo? Sonhar com momentos de compaixão e expressar o oposto olhos nos olhos? A lógica não é muita, afinal, só há uma verdadeira explicação, pouco ou nada científica, que explica tanto com tão poucas letras: o amor. O amor é inevitável, impossível de controlar, de esquecer quando tencionamos, de ultrapassar de um dia para o outro, de um mês para o outro, de um ano para o outro – e este tempo passa tão rápido, rápido demais quase regra geral -, quem sabe até por toda a vida.
Não sei se existem amores-perfeitos, se sim, não os conheço, nem sequer sei se conheço ao certo o amor. Já tremi, chorei e senti o meu coração bater forte, tanto, capaz de controlar o resto do corpo, mesmo a mente. Se for isso então eu conheço-o bem, então já o vivi, já o senti… e continuo a sentir. Porque ontem, quando te vi à minha frente, de cabelo despenteado, mochila sem livros lá dentro e uma auto-estima do tamanho do mundo tudo parou, o meu coração bateu cada vez mais forte e o sorriso, o sorriso mais tonto que sei fazer não desapareceu da minha cara por mais voltas que o ponteiro do relógio afirmasse.
Espero por alguém como tu, que me mostre a cumplicidade eterna, o conforto permanente, a confiança, o claro no meio do escuro. Espero por alguém como tu, não por ti.

sábado, 26 de dezembro de 2009

ventos de mudança


Os dias passam e não se regista qualquer alteração.
O vento não muda de direcção, os cabelos não balançam com o vento e os carros continuam a encher as estradas nas horas de ponta. Eu também, também continuo aqui sentada a ver as estrelas como sempre fiz, como me lembro de fazer desde o primeiro dia de luz. As emoções passam, as lágrimas secam.
Ninguém morre de amor, suporta-se e arranja-se força no horizonte mais desconhecido. As desilusões entram no jogo, e quando se manifestam há sempre alguém para nos surpreender, ou para nos lembrar que existe.
Hoje não me apetece ver as estrelas, quero dançar ao som de uma chuva forte.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

volte aqui


Como é que foi capaz de me deixar aqui sem si? Passou-se mais de um ano e a pergunta não sai do meu pensamento uma única noite. Deixou-me neste lugar cada vez mais escuro, onde o vento aumenta incontrolavelmente de dia para dia.
Para onde foi? É assim tão longe? Diga-me por favor, o meu primeiro desejo é passar ai.
Está feliz? Eu dava tudo para que voltasse para o seu sofá, para o seu escritório, para a sua infinita biblioteca. Sei bem que a escolha não foi sua, só que mesmo assim acho que tem uma divida para comigo. Deu-me o mundo, fez com que eu, criança, acreditasse em todos os planos, em todos os meus sonhos concretizados e depois partiu quando tudo ainda estava a meio. Foi rápido e nem explicou, não deixou uma morada, um número de telefone, nada. Se fosse eu queria ver os adjectivos que me atirava! Já percebi o impossível regresso, mas fique a saber que estou longe de o aceitar.
Um corpo cansado tapava o maior coração que conheci, os sapatos novos (comprados pela avó) escondiam a dor de uma vida cheia de batalhas vitoriosas. O cabelo branco, sinal da idade, as suas palavras sinal da sabedoria mais longínqua e actualizada.
O que por momentos me pareceu chato hoje é urgente voltar.
Quero as imposições exageradas, esperarei até ao último minuto pelo dia em que ao chegar a sua casa me depare novamente com dez, quinze, livros em cima da secretária, afinal, “tive a dar uma vista de olhos pelos teus manuais, impressiona-me o quão incompletos estão!”.
Espero por inteiro chegar a ter metade dos seus conhecimentos, e dar a alguém metade do que me deu a mim.
Enquanto as suas mãos estiveram nos meus ombros, intactas, sonhei com a liberdade, desde que foi sonho com a resguarda que me oferecia.
Precisa de ver aquilo que sou, tudo graças às maravilhas que me ensinou. Venha, olhe para mim, prometo fazer tudo para terminar o que deixou em falta.
Sabe, talvez tenha ido para que o caminho seja mais difícil, “o que é fácil não tem qualquer graça querida.”.
Não esqueço nem ultrapasso, não consigo, nem quero.

Seguidores

Powered By Blogger