quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

vais ver


Vou fazer uma revolução liberal! Umas daquelas como fizeram em França, em Inglaterra… só que bem à minha maneira! Vou planeá-la, traçar um rumo no mapa, concretiza-la na perfeição.
Vou fazer uma revolução, sim, mais uma menos uma…
Vou-me revoltar contra o teu sorriso, contra a tua simplicidade, vou fugir do teu brilho e contra-atacar com o meu mistério, calma e lealdade.
Vou deixar-te no chão, passar tranquilamente e dar-te a mão, apenas com o propósito de te apresentar um novo sonho, de te mostrar um novo caminho, de desenhar o teu nome na minha realidade.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

boy(s)

Porque é que olhamos interminavelmente para os despenteados, convencidos e que tem a mania que todas andam atrás deles? Onde é que está o feitiço, a diferença destes para os outros?
Se andar na corda bamba é tudo menos encantador, porque e que nos cativa? E não saber se somos as tais, pois na realidade tem uma porção maior que a desejável por onde escolher… onde está a piada? Encontram-na?
Na verdade pressinto que os homens/rapazes com as calças da levi’s claras e gastas quase a cair, as blusas largas e com uma aparente despreocupação no visual são os que mais nos atraem… tudo bem, podemos dizer “não, ele não é para mim” durante algum tempo, contudo, na realidade, há um rapaz ideal para cada uma de nós? Se houvesse qual seria o sentido de não escolhermos de quem gostamos? Da incessante procura, das ofuscadas certezas que pensamos ter e que abalam tão rápido, tão depressa?
E é possível odiar-se e amar-se alguém ao mesmo tempo? Dizer mal dele, e, no entanto, passar o dia a desejar encontrá-lo? Sonhar com momentos de compaixão e expressar o oposto olhos nos olhos? A lógica não é muita, afinal, só há uma verdadeira explicação, pouco ou nada científica, que explica tanto com tão poucas letras: o amor. O amor é inevitável, impossível de controlar, de esquecer quando tencionamos, de ultrapassar de um dia para o outro, de um mês para o outro, de um ano para o outro – e este tempo passa tão rápido, rápido demais quase regra geral -, quem sabe até por toda a vida.
Não sei se existem amores-perfeitos, se sim, não os conheço, nem sequer sei se conheço ao certo o amor. Já tremi, chorei e senti o meu coração bater forte, tanto, capaz de controlar o resto do corpo, mesmo a mente. Se for isso então eu conheço-o bem, então já o vivi, já o senti… e continuo a sentir. Porque ontem, quando te vi à minha frente, de cabelo despenteado, mochila sem livros lá dentro e uma auto-estima do tamanho do mundo tudo parou, o meu coração bateu cada vez mais forte e o sorriso, o sorriso mais tonto que sei fazer não desapareceu da minha cara por mais voltas que o ponteiro do relógio afirmasse.
Espero por alguém como tu, que me mostre a cumplicidade eterna, o conforto permanente, a confiança, o claro no meio do escuro. Espero por alguém como tu, não por ti.

sábado, 26 de dezembro de 2009

ventos de mudança


Os dias passam e não se regista qualquer alteração.
O vento não muda de direcção, os cabelos não balançam com o vento e os carros continuam a encher as estradas nas horas de ponta. Eu também, também continuo aqui sentada a ver as estrelas como sempre fiz, como me lembro de fazer desde o primeiro dia de luz. As emoções passam, as lágrimas secam.
Ninguém morre de amor, suporta-se e arranja-se força no horizonte mais desconhecido. As desilusões entram no jogo, e quando se manifestam há sempre alguém para nos surpreender, ou para nos lembrar que existe.
Hoje não me apetece ver as estrelas, quero dançar ao som de uma chuva forte.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

volte aqui


Como é que foi capaz de me deixar aqui sem si? Passou-se mais de um ano e a pergunta não sai do meu pensamento uma única noite. Deixou-me neste lugar cada vez mais escuro, onde o vento aumenta incontrolavelmente de dia para dia.
Para onde foi? É assim tão longe? Diga-me por favor, o meu primeiro desejo é passar ai.
Está feliz? Eu dava tudo para que voltasse para o seu sofá, para o seu escritório, para a sua infinita biblioteca. Sei bem que a escolha não foi sua, só que mesmo assim acho que tem uma divida para comigo. Deu-me o mundo, fez com que eu, criança, acreditasse em todos os planos, em todos os meus sonhos concretizados e depois partiu quando tudo ainda estava a meio. Foi rápido e nem explicou, não deixou uma morada, um número de telefone, nada. Se fosse eu queria ver os adjectivos que me atirava! Já percebi o impossível regresso, mas fique a saber que estou longe de o aceitar.
Um corpo cansado tapava o maior coração que conheci, os sapatos novos (comprados pela avó) escondiam a dor de uma vida cheia de batalhas vitoriosas. O cabelo branco, sinal da idade, as suas palavras sinal da sabedoria mais longínqua e actualizada.
O que por momentos me pareceu chato hoje é urgente voltar.
Quero as imposições exageradas, esperarei até ao último minuto pelo dia em que ao chegar a sua casa me depare novamente com dez, quinze, livros em cima da secretária, afinal, “tive a dar uma vista de olhos pelos teus manuais, impressiona-me o quão incompletos estão!”.
Espero por inteiro chegar a ter metade dos seus conhecimentos, e dar a alguém metade do que me deu a mim.
Enquanto as suas mãos estiveram nos meus ombros, intactas, sonhei com a liberdade, desde que foi sonho com a resguarda que me oferecia.
Precisa de ver aquilo que sou, tudo graças às maravilhas que me ensinou. Venha, olhe para mim, prometo fazer tudo para terminar o que deixou em falta.
Sabe, talvez tenha ido para que o caminho seja mais difícil, “o que é fácil não tem qualquer graça querida.”.
Não esqueço nem ultrapasso, não consigo, nem quero.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

one day I meet someone different



É de loucos saber que um dia acreditei em ti… bem, eu nem precisei de acreditar. Formei uma ideia na minha cabeça que não é real, dei-te valor de sobra e depositei em ti mais do que cabia. Eras paragem obrigatória nos meus dias, que pareciam cheios, só que afinal eram vazios, tão vazios quanto nós. Foste a minha fábrica de sorrisos, hoje vejo que poluíste demais.
Podes ter meio mundo a teus pés, mas eu passei a linha, e não pretendo voltar para essa parte nunca mais.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

sempre


Cada vez é mais difícil crescer. O natal é suposto ser uma época marcada apenas por sorrisos, cheia de cores quentes, de magia. Este ano misturou-se um sentimento que marcou bem mais que os outros o meu natal. Saudade.
Claro que permaneceu a felicidade e os tais sorrisos que de falei durante quase a noite inteira, durante o jantar, durante o vídeo surpresa, durante as conversas e durante as musicas que os mais pequeninos cantaram. Mas… mas tenho saudades, saudades devoradoras de correr para abrir os presentes e de o ver a sorrir. Este ano foi diferente, não ouvi a sua voz e não senti as suas mãos nos meus ombros. Sei que se estivesse aqui a magia ia ser a dobrar, a triplicar, e eu não teria sentido o maior dos vazios quando a mesa, desta vez, não tinha prato no seu lugar.
Não quero exagerar, eu sei que ficaria feliz se soubesse que estou bem, e estou. Só esta saudade permanece, esta saudade que me faz estar diante tantos presentes e só me lembrar de si.
Sabe, o natal continua especial, mas o avô dava-lhe um toque apenas seu, que nunca mais conheci. Faz falta, muita falta, e vai fazer sempre.

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