terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

volte aqui


Como é que foi capaz de me deixar aqui sem si? Passou-se mais de um ano e a pergunta não sai do meu pensamento uma única noite. Deixou-me neste lugar cada vez mais escuro, onde o vento aumenta incontrolavelmente de dia para dia.
Para onde foi? É assim tão longe? Diga-me por favor, o meu primeiro desejo é passar ai.
Está feliz? Eu dava tudo para que voltasse para o seu sofá, para o seu escritório, para a sua infinita biblioteca. Sei bem que a escolha não foi sua, só que mesmo assim acho que tem uma divida para comigo. Deu-me o mundo, fez com que eu, criança, acreditasse em todos os planos, em todos os meus sonhos concretizados e depois partiu quando tudo ainda estava a meio. Foi rápido e nem explicou, não deixou uma morada, um número de telefone, nada. Se fosse eu queria ver os adjectivos que me atirava! Já percebi o impossível regresso, mas fique a saber que estou longe de o aceitar.
Um corpo cansado tapava o maior coração que conheci, os sapatos novos (comprados pela avó) escondiam a dor de uma vida cheia de batalhas vitoriosas. O cabelo branco, sinal da idade, as suas palavras sinal da sabedoria mais longínqua e actualizada.
O que por momentos me pareceu chato hoje é urgente voltar.
Quero as imposições exageradas, esperarei até ao último minuto pelo dia em que ao chegar a sua casa me depare novamente com dez, quinze, livros em cima da secretária, afinal, “tive a dar uma vista de olhos pelos teus manuais, impressiona-me o quão incompletos estão!”.
Espero por inteiro chegar a ter metade dos seus conhecimentos, e dar a alguém metade do que me deu a mim.
Enquanto as suas mãos estiveram nos meus ombros, intactas, sonhei com a liberdade, desde que foi sonho com a resguarda que me oferecia.
Precisa de ver aquilo que sou, tudo graças às maravilhas que me ensinou. Venha, olhe para mim, prometo fazer tudo para terminar o que deixou em falta.
Sabe, talvez tenha ido para que o caminho seja mais difícil, “o que é fácil não tem qualquer graça querida.”.
Não esqueço nem ultrapasso, não consigo, nem quero.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

one day I meet someone different



É de loucos saber que um dia acreditei em ti… bem, eu nem precisei de acreditar. Formei uma ideia na minha cabeça que não é real, dei-te valor de sobra e depositei em ti mais do que cabia. Eras paragem obrigatória nos meus dias, que pareciam cheios, só que afinal eram vazios, tão vazios quanto nós. Foste a minha fábrica de sorrisos, hoje vejo que poluíste demais.
Podes ter meio mundo a teus pés, mas eu passei a linha, e não pretendo voltar para essa parte nunca mais.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

sempre


Cada vez é mais difícil crescer. O natal é suposto ser uma época marcada apenas por sorrisos, cheia de cores quentes, de magia. Este ano misturou-se um sentimento que marcou bem mais que os outros o meu natal. Saudade.
Claro que permaneceu a felicidade e os tais sorrisos que de falei durante quase a noite inteira, durante o jantar, durante o vídeo surpresa, durante as conversas e durante as musicas que os mais pequeninos cantaram. Mas… mas tenho saudades, saudades devoradoras de correr para abrir os presentes e de o ver a sorrir. Este ano foi diferente, não ouvi a sua voz e não senti as suas mãos nos meus ombros. Sei que se estivesse aqui a magia ia ser a dobrar, a triplicar, e eu não teria sentido o maior dos vazios quando a mesa, desta vez, não tinha prato no seu lugar.
Não quero exagerar, eu sei que ficaria feliz se soubesse que estou bem, e estou. Só esta saudade permanece, esta saudade que me faz estar diante tantos presentes e só me lembrar de si.
Sabe, o natal continua especial, mas o avô dava-lhe um toque apenas seu, que nunca mais conheci. Faz falta, muita falta, e vai fazer sempre.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

até sempre, até ao fim


Já perdoei, perdoei o abandono, o vazio, até as lágrimas que permaneceram, que caíram pela minha cara, hora após hora, dia após dia. Perdoei a distancia, juntei toda a raiva e mandei fora, livrei-me dela, tal como me livrei do egoísmo. Sim, desculpe o meu egoísmo. Desculpe se quis que ficasse junto a mim, quando sempre soube que o melhor para si era não ficar.
Sonhei tantas vezes consigo, tantas, tantas que já lhes perdi a conta, pedi, implorei para que voltasse, vi fotografias, lembrei todas as histórias de encantar que me contou antes de adormecer e o abraço envolvente que me deixava tão bem, tão segura.
Há coisas que nunca vão mudar nem acabar, ao contrário da vida, e o amor, misturado com saudade e tristeza que eu sinto é uma delas. Vou sempre desejar com todas as minhas forças voltar a vê-lo, a senti-lo, seja de que maneira for, quando for.
Aconteça o que acontecer, apareça quem aparecer, bem dentro de mim há um lugar que não pertence a mais ninguém, que é todo seu, até ao fim.

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